MILAGRE

É bastante recorrente no Novo Testamento o tema dos milagres de Jesus, definidos, segundo a linguagem do evangelista João, como "sinais" da manifestação do reino de Deus, já iniciado com Jesus. Assim, são milagres as muitas curas descritas nos Evangelhos ou algumas intervenções realizadas por Jesus sobre a natureza inanimada, como no caso da tempestade acalmada (Mc 4,35-41) ou da figueira estéril (Mc 11,12-14.19-21). A atividade taumatúrgica de Jesus constituiu um dos eixos da pregação apostólica (At 2,22).
A teologia apologética católica, diante das críticas do racionalismo do século XIX, insistiu no milagre como "motivo de credibilidade" da fé e, contra todas as objeções científicas definiu o milagre não como alguma coisa que é contra a natureza, mas como alguma coisa que está além dela, superando-a e ultrapassando-a. Superadas as instâncias apologéticas e as questões sobre a natureza, a possibilidade e a cognoscibilidade do milagre debatidas no concílio Vaticano I, o concílio Vaticano II interpretou o milagre segundo uma dimensão menos teórica e mais bíblica, situando-o no contexto da história da salvação, onde ele exprime a vontade salvífica de Deus diante do homem e da história.